quinta-feira, 11 de março de 2010

Estudo mostra que doar rim não reduz expectativa de vida


SUCESSO - João Otávio Marques e a mulher Izilda doaram rins às filhas Anna e Eva Cristina


Cientistas acompanharam 80 mil pessoas por 15 anos e comprovaram segurança do procedimento

Pessoas que doam um dos rins vivem tanto quanto quem permanece com os dois. Um estudo histórico realizado nos Estados Unidos com mais de 80 mil doadores comprovou definitivamente o baixo risco da cirurgia que, no ano passado, salvou 1.727 vidas no Brasil.

Esse foi o número de transplantes de rim com doadores vivos. No total, houve 4.259 transplantes do órgão. Os autores do estudo afirmam que atestar a segurança do procedimento é essencial para diminuir a fila de pessoas com insuficiência renal à espera de cirurgia. Segundo o último levantamento do Ministério da Saúde, cerca de 34 mil pessoas precisam de um rim.
O artigo mostra que, nos primeiros 90 dias após a cirurgia, apenas 3,1 de cada 10 mil doadores sofrem complicações fatais. Intervenções comuns como a remoção da vesícula biliar possuem um risco associado seis vezes maior. Nos anos seguintes, esse risco se torna tão baixo quanto o de pessoas que não passaram pela cirurgia. Os pesquisadores acompanharam os doadores durante 15 anos - de abril de 1994 a março de 2009.

EXEMPLO

A maior parte dos doadores vivos no País costuma vir de pessoas próximas aos doentes: cerca de 94%. A história da família Reinelt Marques, que comoveu o País em 2005, é um exemplo. Naquele ano, a jovem Eva Cristina e suas irmãs gêmeas Anna Paula e Anna Maria conseguiram sair da fila de espera por um transplante de rim. Os órgãos foram doados pelos pais das meninas, Izilda e João Otávio, e por uma prima do pai.

As garotas de Campinas sofriam de uma rara síndrome genética que provoca o envelhecimento precoce do rim. Durante quatro anos, aguardaram transplante enquanto faziam três sessões semanais de diálise

Agora levamos uma vida praticamente normal, a não ser pela necessidade de tomar a medicação para evitar rejeição e ir ao médico a cada três meses", conta a estudante de Administração Anna Paula, hoje com 29 anos. "Podemos comer de tudo e beber líquido à vontade."

Anna Paula foi a primeira a receber um novo rim, doado pela mãe. A cirurgia completou cinco anos no dia 24 de fevereiro. "Não senti nada de diferente no meu corpo depois da operação. Pelo contrário, tornei-me uma pessoa muito mais feliz por ter dado a vida duas vezes à minha filha", diz Izilda.

A família fundou em 2003 a ONG Doe Vida, que promove ações para estimular a doação de órgãos e presta assistência a quem aguarda na fila de espera dos transplantes. A entidade distribui mensalmente 200 cestas básicas entre pacientes que fazem diálise nas clínicas de Campinas e região. A demanda, diz Anna Paula, é de 500 cestas.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Henry de Holanda Campos, explica que, graças ao trabalho das redes de pacientes e familiares, o receio da doação diminuiu muito nos últimos dez anos.

Ao Estado, o principal autor do trabalho, publicado no Jama, Dorry Segev, disse que pretende avaliar outras variáveis, como o impacto psicológico da doação.


Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100311/not_imp522638,0.php

Um comentário:

Ministério da saúde disse...

Olá blogueiro,
A doação de órgãos é sem dúvidas um ato de solidariedade e amor ao próximo que pode salvar vidas. Veja no seguinte link as dúvidas mais frequentes sobre o tema: http://bit.ly/cHLx34. Divulgue e ajude a salvar mais vidas.

Para mais informações: fernanda.scavacini@saude.gov.br

Ministério da Saúde